Eu não tenho a menor ideia do que estou fazendo com a minha vida

Vendo amigos por aí traçando metas, fazendo planos e realizando sonhos percebi que, aos 28 anos, ainda não descobri os meus sonhos. Pior que isso, não descobri “what the fuck” estou fazendo com a minha vida.

Aos 25, 26 eu tinha certeza de onde estava, para onde queria ir e qual direção tomar para realizar meus sonhos. Um pouco mais de 2 anos depois, estou eu aqui, perdida, cheia de dúvidas, muito mais dúvidas do que eu tinha 2 anos antes.

E tenho achado isso cada vez mais normal. Vejo um tanto de gente traçando metas para seus sonhos, estabelecendo prazos, e acho isso tão bonito que tenho uma certa inveja, até. Mas não eu. Comigo não tem sido assim. Saí de casa, me mudei do Rio para São Paulo há um ano e meio. Parece que neste momento eu estava perseguindo um sonho, traçando uma meta, mas na verdade foi apenas uma oportunidade que apareceu e que eu abracei naquele momento.



Depois de muitos anos seguindo um script que eu tinha certeza que era o que queria para minha vida, sem muitos questionamentos, sem muitas dúvidas, houve um momento de rompimento (literalmente, pois terminei um namoro) e parece que o novo ciclo se iniciou ali. Mas não, hoje enxergo meu término como uma consequência do “não tenho ideia do que tô fazendo da minha vida” do que o contrário. Ao começar a questionar um monte de coisas e rever toda a minha vida acabei revendo também o meu relacionamento. Passei por uma catarse, talvez a principal e mais importante em toda a minha (ainda breve) vida.

1. Catarse – Psicanálise: É provocar em outra pessoa, de forma controlada, o despertar de emoções contidas e omitidas, que precisam ser despertas e expostas, para a liberação de bloqueios emocionais.

Uouu, e que catarse a vida me provocou. Nem eu sabia que tinha tantas emoções contidas. E é obvio que passar por isso te faz questionar um monte de coisa, dentre elas o que você quer, e o que anda fazendo para isso.



Ainda não sei o que quero da minha vida, e não perco o sono por isso. Mentira, perco sim. Admiro e invejo as pessoas que adotam a filosofia do “deixa a vida me levar”. Ainda não sei ser assim, mas já aprendi a não planejar mais tudo o tempo todo. Nem sei se “aprender” é o verbo correto. Acho que a vida me mostrou que eu não CONSIGO planejar tudo o tempo todo. E pra ser sincera, ~hoje~ nem quero.

Ai meu Deus, eu penso em tantas frases clichês sobre esse assunto, mas que são tão verdade. Vou falar algumas, todas de uma vez pra não virar um texto inteiro cheio de clichês, mas quando penso na minha vida, vêm à minha cabeça:

  1.            Existe um caos habitando em mim
  2.           A vida é aquilo que acontece enquanto a gente faz planos
  3.           Não se preocupe com o destino, aproveite o caminho


Nunca fui o que podemos chamar de uma pessoa “perdida”. Sempre soube achei que soubesse o que queria. E uma hora isso começou a me preocupar. Como eu tenho tantas certezas? Por que tenho amigos da minha idade tão perdidos, sem saber o que querem? Por que minha própria mãe se preocupa comigo porque está tudo tão dentro do planejado?

E, sem perceber, foi aí que começaram minhas dúvidas. Foi aí que conheci o caos que habitava em mim. Acho que isso abrange os clichês 1 e 2, já que depois do meu término percebi que se tem uma coisa na vida que não é definitiva, é a própria vida. E depois de tantos planos que envolviam, direta ou indiretamente, meu relacionamento, pois tinha certeza da sua eternidade, que percebi que a vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos “vamos casar”, “vamos morar junto”, “vamos ter 2 filhos”, “vamos abrir uma pousad...BUM! Término!

E a primeira pessoal do plural virou primeira pessoa do singular.



E dentre esses 3 clichês, o que mais acalma minha alma nesse caos que a habita é o de parar de se preocupar tanto com o destino e prestar mais atenção no caminho. No fundo, o que importa é a jornada, é o que você anda fazendo com esse grande vídeo game que é a sua vida. E o destino acaba sendo a consequência dos atalhos que você pega, dos percalços que você passa, dos terremotos e tsunamis onde você se mete e até dos caminhos que você opta por não explorar.

Às vezes, dá uma vontade de jogar tudo pro alto, de voltar pra casa, de pedir colo pra mãe, de pedir pro mundo parar porque você quer descer, mas aí você lembra das delícias (e também das dores) de crescer, das descobertas, das dúvidas que viraram certeza e das certezas que viraram dúvida, e dá uma vontade danada de viver, de mudar de novo, de fazer coisas diferentes, e o desespero passa. Pelo menos, por ora.

“Desde que minha vida saiu dos trilhos, sinto que posso ir a qualquer lugar.”
Zack Magiezi

“You need chaos in your soul to give birth to a dancing star”

Friedrich Nietzsche

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ter razão ou ser feliz

Solteirite

O Dia em que Conheci o Amor da Minha Vida. Ou: Meu Relato de Parto